O Agronegócio é o setor menos digitalizado da economia?

A digitalização é um processo que vem acontecendo há algumas décadas, e vem revolucionando diversos setores da economia nacional. O que é espantoso é a diferença entre a taxa de crescimento digital dos setores mais desenvolvidos e mais lucrativos e os demais setores industriais, em especial o agronegócio, o setor mais atrasado digitalmente.

Ser digital engloba não apenas a aquisição de recursos digitais físicos, como computadores, softwares e hardwares, mas também leva em consideração o grau com que as empresas engajam clientes e fornecedores digitalmente, e o quanto elas investem nos seus trabalhadores para que estes apliquem essas tecnologias. Tais fatores aceleram muitos processos, disponibilizam informações rapidamente, facilitam a tomada de decisões, barateiam análises e aproximam pessoas e empresas. Em outras palavras podemos dizer que a digitalização veio para revolucionar o modo como muitas coisas eram feitas e para aumentar o retorno financeiro dos que a adotam.

Estudo sobre digitalização

Recentemente, o “Mckinsey Global Institute” (MGI) realizou uma pesquisa sobre a digitalização empregada em diversos setores da indústria americana. O artigo classifica os diversos setores quanto à quantidade de ativos digitais que possuem, quanto ao uso de tecnologias digitais (próprias ou não) e quanto à afinidade e investimento da força de trabalho em relação a tecnologias digitais. O resultado está representado em um gráfico mais abaixo.

Digitalização no agronegócio

Os top setores de acordo com a classificação acima, os setores de tecnologia, conseguem maximizar seus potenciais digitais, operar na fronteira de eficiência digital, potencializar seus retornos por horas trabalhadas, empregar tecnologias que possibilitem abertura ou consolidação de novos mercados, enfim, se destacam dos demais em diversos pontos e consequentemente obtêm maiores margens de lucro e crescimento.

O que é intrigante é a gigante diferença entre setores, em especial em relação ao último colocado, o agronegócio. O agronegócio americano é sabidamente mais digitalizado do que o brasileiro, o que nos explicita ainda mais a precariedade da digitalização deste setor em comparação aos demais.

Falando do agronegócio, com o foco no nível de produção, a digitalização parece muitas vezes ser coisa de outro mundo, não se aplicando diretamente ao cenário brasileiro. Porém, a era digital está mais inserida do que parece na agricultura e pecuária brasileiras. Hoje no Brasil temos mais dispositivos conectados à internet do que habitantes propriamente ditos.

Na categoria “ativos digitais”, considera-se o quanto empresas investem em softwares e hardwares próprios ou contratados (desde uso de computadores aos softwares de formulação de ração ou gestão completa da propriedade), o quanto seus arquivos e relatórios são armazenados digitalmente (isto é, não em papel), a posse de ativos físicos digitalizados (como tratores controlados por GPS, balanças digitais) etc. A segunda categoria “uso de tecnologias digitais” mensura o grau de interação digital entre as empresas do setor com fornecedores ou clientes. O uso de plataformas digitais para comunicação, pagamentos de insumos/produtos realizados digitalmente, uso de lojas virtuais etc. A terceira e última categoria é relacionada ao grau com que empresas colocam seus trabalhadores para interagir com tecnologias digitais. De nada adianta as empresas investirem em ativos digitais, e utilizarem isto para interagir com clientes e fornecedores, se sua mão de obra não é capacitada para utilizar tecnologias digitais, ou ainda não otimiza seu potencial digital.

A digitalização e retornos financeiros na agricultura e pecuária

Muitos ainda não conseguem enxergar o quanto a tecnologia digital pode agregar ao seu agronegócio, porém, é inegável que a digitalização está diretamente relacionada aos maiores retornos financeiros. Na pecuária leiteira, por exemplo, temos alguns dos maiores produtores monitorando seu rebanho com softwares especializados, empregando análises e correções em tempo real. Ainda, fazem uso de aplicativos, realizam transações financeiras digitalmente, treinam seus funcionários para que estes saibam imputar informações aos sistemas de gestão, se comunicam rapidamente por internet e/ou rádio etc. Do mesmo modo, alguns dos maiores agricultores também são referência em tecnologia digital: fazem uso de informações de meteorologia recebidas constantemente nos celulares, fazem uso de tecnologias digitais no maquinário, acompanham mercados futuros rotineiramente, realizando operações financeiras de trava de preços e compra de insumos digitalmente etc. Estes exemplos elucidam o quanto a tecnologia digital pode somar na agricultura e pecuária brasileira, expandindo seus lucros.

A digitalização está disponível para aproximar clientes e fornecedores dos seus negócios, facilitar transações financeiras, facilitar a busca de informações, manter conceitos e notícias atualizadas, aproximar equipes de trabalho, estreitar comunicações internas, baratear análises, otimizar mão de obra, agilizar tomada de decisões, armazenar dados, facilitar tarefas, melhorar a utilização de ativos e diversas outras funções que irão aumentar retornos financeiros.

Entre as diversas formas de se digitalizar, várias tem custos-benefícios comprovados e condicionam uma enorme vantagem competitiva porteira a dentro, se encaixando em propriedades de diversos tamanhos e níveis tecnológicos. Adicionalmente, a mão-de-obra rural pode e deve ser treinada para a otimização de tarefas e emprego de ativos. A agricultura e pecuária tradicionalmente estão distantes da tecnologia digital quando comparadas a outros setores, contudo a digitalização veio para ampliar resultados financeiros e criar um novo ambiente para o agronegócio. Diante dessas adversidades, a não digitalização vai qualificar uma posição de enorme desvantagem competitiva, ameaçando a sustentabilidade econômica de muitos.

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