Contas a pagar e planejamento de pagamentos: diferenciá-los para aumentar os lucros

Com o constante aumento da competição na cadeia do agronegócio brasileiro, cresce também a necessidade pela profissionalização da gestão da empresa rural. Dentre diversos assuntos e tópicos relevantes para tal, é importante diferenciar “contas a pagar” do “planejamento de pagamentos”. Quando isto não é feito, a tomada de decisão pode ser prejudicada e consequentemente custar caro ao agronegócio, principalmente no longo prazo.

Conceituando

Embora tratados de forma conjunta por alguns agentes, existem distinções entre um e outro.

Contas a pagar: No linguajar financeiro, “contas a pagar” refletem compromissos financeiros já assumidos, mas que ainda não foram pagos. Exemplos são: contas na casa agropecuária que são pagas ao final do mês, salários pagos ao final do mês, entre outros. É importante ressaltar que, nestes casos, a compra do produto ou trabalho já foi realizado e, portanto, apresentam penalizações quando não pagos.

Ao comprar um produto a prazo, o agronegócio está, mesmo que sem perceber, injetando capital de terceiros, o mesmo que dívida de bancos, na forma de produto na sua atividade agropecuária. Isto é, está tomando crédito emprestado que será pago no prazo acordado entre as partes, com eventuais juros explícitos ou implícitos no preço. Lembre-se do desconto à vista!

Planejamento de pagamentos: Como o próprio nome diz, o “planejamento de pagamentos” reflete projeções de pagamentos (transações financeiras) que ocorrerão caso um compromisso de compra, venda, ou contratação de serviço se estabeleça. Embora planejadas, tais transações financeiras podem deixar de serem executadas caso o gestor venha alterar a tomada de decisão.

Em suma, a grande diferença entre os dois é que o primeiro reflete compromissos já assumidos e que não podem ser anulados, enquanto o outro representa o planejamento do que pode ou não vir a acontecer. 

Impactos de contas a pagar vs. planejamento de pagamentos

Uma vez esclarecida a diferença entre estes, é importante conhecer os impactos que estes representam sobre o agronegócio em questão quando não são bem interpretados.

“Contas a pagar” como mencionado representam compromissos firmados, e a injeção de capital de terceiros no agronegócio. Da mesma forma que dívidas, essa conta influencia a capacidade do agronegócio de cumprir com suas obrigações financeiras. Em eventuais contratempos, com a produção ou outro aspecto do agronegócio que requeira usar maiores quantidades de caixa, é importante mensurar a quantidade de caixa disponível menos as contas a pagar durante o próximo período analisado. Caso a análise não seja feita, o agronegócio consumirá caixa além do que consegue gerar e assim, sofrerá sérios problemas de saúde financeira.

Por outro lado, também como dívidas, “contas a pagar” podem alavancar a produção e lucratividade do agronegócio, ao passo que também barateiam o custo dos recursos financeiros utilizados (abordamos o que é Custo do Capital em outros artigos e palestras). A obtenção de recursos financeiros de terceiros oferece ótima oportunidade para maximizar os retornos econômicos do próprio dinheiro. No entanto, tal uso deve vir acompanhado do planejamento financeiro, para que, conforme exposto acima, não comprometa a saúde financeira e longevidade do agronegócio.

Já o planejamento de pagamentos futuros deve estar refletido no seu fluxo de caixa futuro planejado, parte integrante do planejamento rural, visto que o fluxo de caixa deve incluir todas as saídas de caixa em vista. Frequentemente, planejamentos de pagamentos não devem ser tratados de forma isolada, como verdade absoluta, e devem estar acompanhados de análise de cenários, que por sua vez amparam eventuais mudanças de tomada de decisões necessárias ao longo do caminho. É valido lembrar que “contas a pagar” são um planejamento futuro obrigatório, e estarão presentes, necessariamente, em todos os cenários analisados. Não podem ser desconsideradas como planejamento de pagamentos. 

Mas então, qual utilizar?

Muitos ainda se perguntam qual é o mais indicado para tomada de decisões. A grande questão é que ambos devem ser utilizados de forma conjunta, mas levantados e analisados de forma completamente isoladas. Como toda a decisão estratégica, que compreende a análise do todo, ambos devem ser olhados, mas é preciso que a ferramenta de gestão utilizada necessariamente classifique-os de forma diferente.

Pagamentos futuros não obrigatórios podem levar a necessidade de caixa adicional, enquanto os obrigatórios necessariamente o farão. Ainda, a falta de planejamento do primeiro pode comprometer a capacidade de pagamento do segundo que, necessariamente, comprometerá a situação financeira do segundo.

Por outro lado, a obtenção de pagamentos a prazo pode levar a menor pressão de caixa no curto prazo. Caso planejamentos de pagamentos não obrigatórios se tornem necessários no curto prazo, para uma maior rentabilidade do negócio por exemplo, a postergação de pagamentos obrigatórios pode representar ótimas oportunidades para realizar os ganhos.

A Perfarm trata o planejamento de pagamentos futuros diferentemente de contas a pagar. Em nossas análises, o segundo, por sinal, é feito de forma automática e sem a possibilidade de alterações, visto que representam pagamentos obrigatórios. Enquanto isso, o planejamento de compra de insumos, ou de qualquer outro recurso, pode ser manipulado e sempre ajustado ao cenário que maximiza o lucro do produtor.

Entender as diferenças entre estes dois conceitos, saber utilizá-los de forma complementar e profissionalizar a gestão estratégica e financeira traz um enorme benefício para a tomada de decisões do agronegócio. Consequentemente, representa vantagem competitiva no médio e longo prazo da operação agrícola ou pecuária.

 

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